AMÈLIE E RENATO
- Angélica Nogueira
- 18 de mar. de 2022
- 1 min de leitura

Anos 70. Amèlie, moça trabalhadeira, moderna, obediente a seus pais. Gostava de dançar – essa era sua maior paixão. Duas vezes por semana, saia do trabalho e ia direto para a academia de dança em frente - era só atravessar a rua. Lá conheceu Renato. No dia do baile, ele a chamou para dançar – alto, boa aparência, cabelos encaracolados, charmoso, disse que era engenheiro. Amor a primeira dança! Sorriam, dançavam, passeavam, sintonizaram-se de uma tal forma, que não deu outra - depois de um mês, ele a convidou para ir ao seu apartamento. Ainda um pouco receosa, e muito curiosa, aceitou o convite.
Chegaram a um prédio de fachada simples, a sala velha, cheirava a mofo, pouco iluminada. - Que diabos ele quer aqui? – ela pensou. Parecera a ela que era a antiga habitação de seus avós, que ele havia herdado. Havia no ar um clima de passado. Olhou o sofá rasgado, um tapete em farrapos, nas paredes as tintas descascavam em meio a algumas pinturas e o único retrato que restava na parede, ainda sorria – uma moça nova, parecida com ele.
Teriam muito o que conversar, mas de uma coisa ela tinha certeza, desistir jamais.



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